segunda-feira, 11 de julho de 2011

"Saudade é sentir que existe o que não existe mais"

Saudade. A língua portuguesa se vangloria de ser uma das poucas que possui uma palavra para expressar esse sentimento profundo de nostalgia, melancolia e, às vezes, de pesar. A palavra saudade descreve os sentimentos mais intensos que se originam no nosso íntimo e se relacionam com nosso presente, passado e futuro. A música, a poesia e a literatura sabem e o souberam utilizá-la através de seus versos mais belos.

Nós brasileiros, no entanto, ao invés de preservá-la, abusamos da riqueza do nosso vocabulário e rebaixamos “saudade” ao uso corriqueiro e banal. Fazemos com “saudade” o mesmo que os norte-americanos (digo-o apenas por minha experiência) fizeram com “I love you”, frase mais usada para despedir-se ao telefone do que como declaração de verdadeiro amor, qualquer que seja sua classificação.

Alguns vão me julgar fria e insensível. A verdade é que creio haver uma diferença entre sentir saudade e sentir falta, e nem todos parecem fazer essa distinção. Sinto falta de minha mãe, de meu pai, de minha família, de meus amigos e de todos aqueles a quem quero bem. Essa falta, no entanto, não me desce ao coração enquanto saiba que todos estão bem e felizes.

Saudade é um sentimento mais especial, único. Sinto saudade do tempo que não volta atrás. Saudade do que nunca vai se realizar no futuro. Saudade do que a morte e a distância impedem que se realize no presente. Tenho saudades de minha vó, de seu cheiro, que após seis anos começa a me escapar à memória, de seus abraços, de seu sorriso contagiante. E creiam-me, poderia passar aqui muitas horas descrevendo quantas saudades sinto dessa velha!

Sinto saudades... De ser acordada por minha mãe quando cantava “tá na hora, vumbora”, ou quando nos acordava às seis da manhã com um copo do nutritivo suco beterraba+cenoura+laranja. Da primeira vez que fui a um jogo de futebol com meu pai. De morar ao lado de meus primos, da época em que éramos melhores amigos e de todos os momentos que compartilhamos juntos. Do arroz com macarrão de minha bisa. De assaltar o armário de chocolates na casa de minha vó Carmen. De ver minha priminha abrir seus olhinhos e sorrir ao ver-me ao seu lado. Dos carnavais na Gamboa. De andar despreocupada pelas ruas de Paris. Já sinto saudade até dos sábados em Busca Vida.

São coisas que não voltam, mas que estarão sempre vivas e presentes dentro de mim enquanto eu sentir saudade. Como sabiamente disse o poeta Neruda, "saudade é sentir que existe o que não existe mais".

13 comentários:

  1. Puxa Luciana, que texto lindo! Como vc escreve bem. Pena que não nos conhecemos bem...Parabéns.
    Beijo
    Yvena

    ResponderExcluir
  2. Maravilhoso o texto Lu! Linda escrita. Clara, informativa e comovente. Vivi e senti saudade de todos os momentos.
    Vumbora, vumbora, ta na hora vumbora... vai ficar na minha mente para sempre. So nao sinto muita saudade do suco vitaminico....ahahahaha
    Te amo, e aqui nao e como dizem os americanos.
    Just keep swimming!!

    besos

    ResponderExcluir
  3. Por acaso o texto acima e meu. Mauro, seu irmao :)

    ResponderExcluir
  4. Estou arrepiada.... Sinto saudade da nossa estada maravilhosa em Paris, dos risotos com molho bechamel q vc fazia pra nos, de andarmos sem rumo... sinto saudade da nossa epoca de faculdade, dos estudos `as escondidas, das gargalhadas de nervosismo antes da prova... E sinto muita falta de ter voce por perto fisicamente, pois dentro do cora;cao vc sempre vai estar!!! Parabens pelas sabias palavras! Vc eh demais!

    ResponderExcluir
  5. Lu, engracado que ontem estava justamente falando sobre "saudade" com minha roomie americana. estava tentando explicar pra ela que saudade n tem o mesmo sentido de "i miss you" or "te echo de menos".. falei q justamente sentimos saudade de coisas q nao podemos ter mais.. muito bom seu post. cm sempre arrasando! beijos.
    p.s: odeio quando esses gringos falam "i love you" pra mim.. ta me zoando??? nem me conhece direito? me ama? que pena? eu nao! rs..

    ResponderExcluir
  6. Concordo, Morgs... Também nunca consigo responder esses "I love you" dos americanos com sinceridade... Salvo suas exceções, claro.

    ResponderExcluir
  7. Lu, lindo texto. Perfeito no que vivi ano passado quando meu Museu foi embora, não consegui me conter quando li, e inevitavelmente agora.
    Enfim... Li a apresentação também e Mauro teve uma ótima idéia, vc, de fato, escreve muito bem!
    Caíque
    PS: Novo tag de avaliação
    (1)Emocionante

    ResponderExcluir
  8. Christiano (primo)14 de julho de 2011 09:24

    Lú, ler o seu texto (que Mauro escreveu), me fez retroceder no tempo e reviver na memória bons momentos da minha vida... ê SAUDADE!!

    ResponderExcluir
  9. Pois é Lu, saudade é o q sentimos do que não pode mais voltar. É bom pararmos pra pensar nisso de vez em quando ou sempre, assim aprendemos a dar mais valor ao que vivemos, presenciamos e temos agora. Essas coisas podem não mais voltar.
    Obrigado pelo texto que me fez dar uma quebrada na rotina tão corrida do dia a dia e me fez pensar nas muitas coisas boas da vida que temos saudade hoje e nas muitas outras que sentiremos saudade daqui um tempo.
    (obs: EU acrescentaria na sua lista, os momentos deliciosos de nossas famílias em Salvador. Saudade!)
    THOMAS

    ResponderExcluir
  10. Chris... Não foi Mauro que escreveu o texto. Fui eu mesma! Mauro escreveu um comentário e acabou assinando como se fosse eu...

    Thomas... Eu incluo nossos momentos em Salvador quando falo dos "primos". Sei que não ficou muito claro, mas que fique claro agora que essa é a importância que vocês tiveram e tem.

    ResponderExcluir
  11. Lu, gostei do seu blog. vou seguir. bjs
    roca

    ResponderExcluir
  12. Ameniso a minha saudade toda vez que te acordo! Sinto muita falta de ter voce por perto. Saudade e o que voce vai sentir depois que conhecer a coisa mais preciosa da minha vida. Saudosas ficaremos quando voce voltar pra casa- Morjana

    ResponderExcluir