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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Debaixo dos Caracóis...

Hoje, estava penteando minhas madeixas quando, em meio a meus cachos negros, percebi um fio destoante – um cabelo branco. Não foi a primeira vez que tive essa ingrata surpresa. Já havia sofrido um episódio semelhante aos 19 anos, mas naquela idade tão tenra era fato isolado e despertou em mim mais surpresa e indignação do que preocupação. Dessa feita, a história foi diferente e a reação, apesar de menos histérica, veio da constatação de que a idade está chegando para mim também.

A gente tem mania de achar que só pai e mãe ficam velhos e rimos quando eles se desesperam cada vez que mudam de casa decimal. O engraçado é que, à medida que vamos crescendo, começamos a empurrar aquela linha do que julgamos ser “velho” para a frente. De repente, 40 não parece ser tão mal assim... Tudo bem... Eu sei que sou jovem e que tenho a vida toda pela frente, mas quando penso que na próxima Copa faço 30 dá aquele desconforto por dentro. Não sei se torço para que chegue logo 2014 ou para que os anos se arrastem até lá. Talvez seja hora de começar a mentir a idade. Afinal, se vão me acreditar, é melhor que eu comece cedo!

A vida é tão corrida, as semanas e os meses se embaralham, e os anos se atropelam com tanta velocidade que, num piscar de olhos, o Ano Novo cede lugar ao Reveillon e tudo começa outra vez. Quando encontramos um fio branco, ou percebemos uma marca de expressão mais acentuada em nossa face, é como se estivéssemos nos situando na linha do tempo. Temos que aproveitar essa pausa para refletir sobre o passado, o presente e o futuro, meditar sobre as nossas ações e conquistas e aprofundar a qualidade dos nossos relacionamentos.

Para não deixar de fora um antigo clichê... Que envelheçamos como bons vinhos, aperfeiçoados com o tempo! E que venham os fios brancos! Tonalizante neles! Quanto às rugas, espero que demorem mais, pelo menos até que eu perca meu medo de agulhas...

Este mês meu irmão mais velho faz 30 anos (em sua homenagem, resisti ao uso de parênteses até aqui). Já já eu chego lá...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Devaneios na Madrugada

A Terra gira em torno do sol a cada doze meses. A cada seis, é a minha cabeça que dá voltas. Ela anda às voltas com ideias mirabolantes – todas com prazo de validade. Ideias que mais se assemelham a sonhos do que a objetivos concretos, e logo são abandonadas, sobrepujadas pelas impossibilidades que as acompanham. Em seguida, nascem em minha mente outras ideias, mais modestas – também com data para expirar – vencidas por outras ainda mais grandiosas e impossíveis.

Assim tem sido a minha vida nos últimos anos. Tenho vivido de planos maus traçados e de sonhos irrealizados. A menina persistente e determinada mal se reconhece na mulher medrosa e covarde, que ao sinal do primeiro obstáculo, desvia-se para outra estrada, e para outra, nunca chegando a lugar algum. Medo e desapontamento é o que tenho causado nos que mais investiram em mim. Se houvessem sabido em que mau negócio eu me converteria, com certeza teriam redirecionado seus fundos a venturas mais afortunadas.

A vida que eu julgava não ter começado já começou sim. Sou eu quem a está deixando de viver. Não... Isso não faz sentido. Nego esta afirmação quanto sinto o ar encher os meus pulmões e o vento frio cortar o meu rosto. Talvez eu não viva para esse mundo. Talvez não me encaixe nos padrões. Talvez a minha vida se passe dentro da minha mente e esse seja o meu universo. Do que preciso para entender que já comecei a viver? O que se exige de mim? O que eu exijo de mim mesma? Por que o que eu tenho não me basta? Por que tenho que dar o próximo passo? Por que não páro de pensar nele? Por que tenho que ser alguém? Por que tenho que ter alguém? Não basta ser eu mesma? E quem sou eu?

Quisera eu calar as vozes exteriores, abafar a voz do meu inconsciente, torná-la inaudível; aquietar minhas inquietudes, dominar os meus medos, apaziguar as minhas ansiedades. Quisera eu ser dona de mim mesma... Mas eu, como todo mundo, não sou dona de nada. Posso viver em mim, mas pertenço ao grupo. O grupo é mais forte do que eu. Não importa para onde eu corra, ele vai estar lá, e a pergunta vai surgir outra vez: e agora?

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Resposta a Gleide

Minha mãe me diz que todo dia entra aqui pra saber se tem algum post novo e nada... Acho que na falta de novos textos ela deve até ter decorado as poucas linhas contidas nessa página. Diz ela que as pessoas ficam perguntando “Quando é que Luciana vai escrever outra vez?” Propaganda ela tem feito, eu sei. (Gleide, a moça da farmácia... que falava do blog... era minha mãe. Tanto entusiasmo, haveria de ser uma mãe! E das mais corujas por sinal!) Pois é, tenho angariado fãs em filas de farmácia e em academias de letras. Agradeço o apoio e o incentivo. Também sou uma fã (gostei muito de Lunaris, Carlos.) (Lunaris. RIBEIRO, Carlos. EPP Publicidade/Banco Capital, 2007.)

Achei interessante o fato de Gleide ter ficado surpresa ao ler as crônicas sobre Chelsea e Liverpool. É... Talvez a Luciana do dia 28 de junho, a olho nu, não tenha muito a ver com a Luciana do dia 28 de abril. (Ai, meu Deus! Três textos e três fãs depois o “eu” virou “a Luciana”...) Você me perguntou por que escrever de futebol. Entendo sua surpresa. Futebol no Brasil é tabu entre as mulheres. As brasileiras, com suas raras exceções, odeiam futebol. É ele que as empurra para baixo na lista de prioridade dos seus maridos, namorados, ficantes e amantes; que faz o jantar esfriar na mesa, e a água na banheira. Galvão Bueno e cia são seus inimigos mortais. Basta que um vozeirão ecoe na sala para que uma cadeira fique vazia na sala de jantar. Eles correm tão rápido para a frente da televisão que o tempo que gastam para percorrer a distância entre uma poltrona e outra seria suficiente para qualificá-los para uma prova de atletismo nas olimpíadas ou quem sabe para quebrar um recorde mundial. E o gol, de quem foi? E o jogo, qual é? Kaká para o Brasil contra a França? Não... Gol de Testinha do Rio Branco contra o Guaratinguetá.

A verdade é que o futebol causa mais ciúme nas mulheres do que uma rival, afinal, 1 par de pernas não é páreo para 22... É ele o vilão dos casamentos e dos relacionamentos em geral. Na rival, pelo menos as mulheres encontram uma aliada contra seu arquinimigo declarado. Contra a tal, há armas. Pode-se lutar. Contra o futebol não. Afinal, a cada ano há mais campeonatos, copas, recopas. Não sobra noite na semana para as mulheres. Se segunda é o dia do baba, ou da pelada, terça é o dia da série B, quarta e quinta, dia de Brasileirão. Folga na sexta? Não... Tem série B de novo. ABC contra Duque de Caxias. Imperdível! Sábado uma nova rodada tem início e Domingo começa tudo outra vez... Sem falar nos incontáveis shows da rodada. Acaba um programa na Band, começa outro no Sportv.

Se não pode com o inimigo, junte-se a ele. Não é esse o ditado popular? Algumas bem que tentam... Sentam juntinho do maridão, até servem a cerveja e o amendoim. Aguentam 15 minutos. Começam a perguntar o que é impedimento... (se for loira, pergunta o que é pênalti). Outras fingem interesse pelas pernas cabeludas dos jogadores. Fingem sim. Primeiro porque os calções não são mais como nos anos 1970, eles cobrem as coxas dos jogadores, não dá pra ver nada! Segundo, alguém já reparou nas belezuras que jogam nos gramados brasileiros? Pois é... (se o futebol for Europeu, desculpa aceita). As mais espertas, como minha mãe, viram bruxa na hora do jogo. Se estiverem de bom humor, torcem a favor; se estiverem com a pá virada... Quantas vezes já vi o Vitória marcar quando minha mãe, entusiasmada, dizia “O Vitória vai fazer um gol, vocês vão ver!” E quantas outras vezes já vi o contrário... “Esse time vai perder... E vocês ficam ai perdendo o tempo de vocês...” E lá se iam 3 pontos...

Falei, falei e ainda não respondi a sua pergunta, Gleide. É mais fácil falar de futebol sim. É menos clichê. Mais leve. Mais divertido. O que é que eu posso dizer a respeito do amor que já não foi dito ou vivido? Mas não é por isso que escolhi falar de futebol. A verdade é que sou amante dos esportes e poucas coisas me emocionam tanto. Poucas coisas me causam arrepios ou trazem lágrimas aos meus olhos como cenas de conquistas e de superação dentro do esporte, qualquer que seja. Nem sei explicar. É algo que me motiva a superar os meus limites também, sejam eles físicos ou intelectuais. Essa paixão vem de dentro de mim e não depende de ninguém; não dá pra tirá-la de mim.

domingo, 28 de junho de 2009

O Fim do Amor

Eu não sei quando comecei a amar. Mentira. Já ia começar a escrever quando me lembrei daquele momento... O instante exato em que percebi que me apaixonara, que eu também era capaz. Quando a gente ama, a gente pensa que é pra sempre. Recordamos o momento com ternura e paixão. Mas nem sempre é pra sempre. E se não for pra sempre, será que era amor? Nem vou entrar nesse detalhe porque as opiniões são diversas e eu não sou nenhuma especialista. Meu conhecimento sobre o tema se resume às novelas mexicanas e à uma breve experiência dolorosa e necessária.

Quero falar, na verdade, sobre o momento em que a gente se dá conta de que acabou, de que não amamos mais. Não me refiro ao amor que é erodido pela convivência, quando as arestas não se aparam, e sim ao amor que sobrevive ao fim de um relacionamento. É difícil saber o que fazer com esse sentimento quando está vivo dentro do peito de um só. Alguns tentam transformá-lo em ódio, outros em amizade. Às vezes é mais fácil odiar a si mesmo e arranjar novos amigos, porque amizade com ex... não creio sê-la possível; não enquanto perdure o sentimento. Fingimos. É o que fazemos. Fingimos para que não nos tomem por ressentidos, rancorosos, rejeitados. Sorrimos quando queremos chorar. Elogiamos quando queremos xingar. Desejamos os mais “sinceros votos de felicidade” quando na verdade esperamos que sigam sofrendo por nós, infelizes e amargurados. Coração partido ou ego ferido? Difícil saber se sofremos pelo amor próprio ou pelo amor do outro.

Como sabemos que acabou? É disso que me proponho a falar. O processo é gradativo, claro. A imagem do fulano, ou da fulana, vai se apagando... Deixamos de vê-los em todos os lugares. O caminhão da UPS passa a ser só mais um veículo na avenida congestionada. Pensamos neles só quando lembramos que passamos o dia todo (ou uma hora que seja) sem pensá-los. As recordações tornam-se quase uma lembrança distante, destacam-se da realidade – um fruto da nossa imaginação. No meu caso, descobri que já não amava quando estava ouvindo uma música no rádio. Cantei sem dor, sem rancor. Não cantava mais pra ele. Não quisera fazer daquelas palavras minhas. Nem lembro o nome da música. As letras perderam o significado. Eu não amo mais. Não foi um dia tão feliz como aquele em que me descobri boba e apaixonada (talvez mais com a idéia do amor do que com o objeto deste), mas foi muito mais libertador. O universo se abriu. Tudo é possível outra vez.